A convivência em sala de aula requer paciência e boa vontade. É necessário reconhecermos que apesar de iguais, somos diferentes - uns mais diferentes que outros! E mostrar-se diferente não é uma tarefa fácil e nem vem naturalmente para todos. Anunciar-se como diferente é se libertar. Aquele que não se deixa ser não é.O diferente tem que suportar e digerir a ira do remediavelmente igual, a inveja do comum, o ódio do mediano, que espera que você seja assim.... como ele.O diferente é o que vê mais longe do que o consenso. O que sente antes mesmo dos demais começarem a perceber.
O diferente é o que se emociona quando todos gargalham. Os diferentes aí estão: enfermos, inteligentes em excesso, homossexuais, barriguados, de roupas erradas, infantis, gilsons, silvanas, tchelas, porras', petersons...
Dos grandes feitos só os diferentes são capazes. Só eles são capazes de arriscar. Só eles sabem que viver é seguir impulsos até perceber, sentir, saber ou intuir a tendência de equilíbrio que está na raiz dos impulsos. Eis um determinismo biológico: para amadurecer há que viver (sofrer) as machucadelas da aventura e da peripécia existencial.
O diferente sabe que viver é renunciar. Renunciar à onipotência e às hipóteses de felicidade completa. Descobrir que a felicidade se constrói aos poucos. Sobre os erros, sobre renúncias, trocando sonhos e ilusões pela construção do possível e do necessário. Só o diferente sabe que alcançar à felicidade possível é compreender que construir a vida é renunciar à pedaços da felicidade para não renunciar ao sonho da felicidade.
Mas quem disse que é fácil desassociar a conotação pejorativa da palavra diferente que nos foi imposta? Eis o grande desafio da convivência: reconhecer no outro a possibilidade ao invés da inferioridade.
...Dedicado ao professor Percy e aos colegas da sala 25



